[Tradução]Ferraduras

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[Tradução]Ferraduras

Mensagem por Drason em Sab Maio 05, 2012 8:16 am

Título original: Horsechoes

Autor: Drakin Kovar

Tradução: Drason


O pequeno quarto estava escuro, mas a luz do amanhecer passava através de uma janela próxima. Foi o momento indefinível, quando o mundo parecia prender a respiração diante da escuridão da noite e a luz do amanhecer, como se antecipando a chegada de um novo dia.
A cabeça de Twilight começava a processar informações, usando o mesmo procedimento lógico que tinha aperfeiçoado há muito tempo, durante seus anos como aluna da Princesa Celestia. Mesmo antes de estar completamente acordada, ela já tinha começado a registrar mentalmente tudo ao seu redor. Twilight estava rígida, gelada, deitada em algo muito sólido. O que foi isso? Logo ela percebeu que não estava em sua cama, e não tinha nenhuma explicação para isso.
Mesmo semi-consciente e atordoada com a fadiga, ela se levantou rapidamente, querendo saber o que estava acontecendo.
Lentamente, abriu os olhos. A primeira coisa que notou é que não estava no seu quarto.
Reprimiu um bocejo enquanto estendia os cascos levantando do chão, e tropeçando em uma cama próxima. Sua mente ainda entorpecida levou um tempo para processar a informação e, novamente, perguntou por que havia ficado fora da cama, até notar, após esfregar os olhos, que aquela não era sua cama.
Ela estava coberta por uma colcha vermelha, mas o de Twilight era maior, com um cobertor azul estampado com estrelas, além disso, a cama estava feita, o que significa que ninguém havia dormido ali.
Seu cérebro finalmente começou a trabalhar com agilidade. O quarto era pequeno, menos de cinco metros de comprimento por três de largura, e em frente à cama, havia um longo espelho encostado na parede.
Twilight fez uma pausa para arrumar a crina e, em seguida, percebeu que algo estava pendurado em seu pescoço: um pequeno pingente que nunca esteve lá antes, era simples, pendurado em uma fina corrente. Deixando para analisá-lo depois, a pônei continuou a rever o quarto.
À sua esquerda, o outro lado da sala havia uma rústica porta de madeira que levava para fora, e era possível ver o céu da manhã através de sua pequena janela. À sua direita havia outra porta, entreaberta, mostrando um armário cheio de roupas, algumas para o uso diário, outras para o inverno, mas a maioria era variado e cheio de ornamentos.
Uma em especial lhe chamou a atenção, dava pra ver que tinha um cuidado diferenciado, mantendo-a separada do resto, era uma capa roxa, cravejado com desenhos de estrelas e luas, pendurado em um gancho de um lado do armário, juntamente com um chapéu pontiagudo, também ornamentado com estrelas e luas.
Ver aquelas roupas permitiu a Twilight juntar as peças do quebra-cabeça, tudo em torno de um único nome:
“Trixie.”
Twilight se lembrou muito bem do dia em que ela mesmo se autodenominava “Grande e Poderosa”, no dia em que veio a Ponyville afirmando ser a unicórnio mais poderosa de Equestria e, em seguida, realizando alguns truques no palco e ainda humilhando três de suas amigas.
Mas no final, ficou provado que ela era uma grande farsa, pois afirmava que uma de suas maiores conquistas foi derrotar uma ursa maior. Acreditando nela, dois potros entraram na floresta Everfree em busca de alguma ursa, que foi atraída para a cidade, onde estava Trixie, e rapidamente veio à tona quando ela admitiu que nunca tinha vencido uma Ursa Maior, e no final, conforme Twilight explicou, aquela que veio para a cidade era uma ursa menor.
Logo depois, Trixie fugiu assim que pôde, deixando para trás os restos de sua carroça destruída, e desde então nunca mais foi vista em Ponyville.
Twilight achava difícil acreditar que Trixie faria um longo caminho apenas para se desculpar, e estava quase certa que tinha um motivo para tê-la levado para … onde quer que estivesse.
“Ela deve ter me raptado enquanto eu dormia. Mas isso não fazia sentido … Por que não me amarrou e me prendeu então? e o que a levaria a correr esse risco? orgulhosa ou não, Trixie não é estúpida”.
Aquele pequeno quarto não tinha mais nenhuma resposta para sua pergunta, então ela abriu a porta e saiu para fora, onde percebeu que estava dentro da carroça de Trixie, mas essa era um pouco maior, embora o design era idêntico daquele que viu quando a unicórnio arrogante chegou em Ponyville.
“Ela deveria estar muito bem para substituir a última que a Ursa Menor destruiu.” Disse Twilight para si mesma, examinando o local.
O ar da manhã estava frio e seco, a carroça estava estacionada do lado de fora em uma grande floresta, com campos verdes e morros que se estendiam a um vale, onde uma pequena cidade surgia de longe com o dissipar da neblina da manhã.
No início, ela pensou que era Ponyville, mas ficou desapontada em não reconhecer nenhuma das casas. Ainda assim, pensou que seria um bom lugar para começar a descobrir o que aconteceu, e não hesitou em ir lá, passando por uma estrada de terra.
Ela chegou à vila ao meio-dia, passando por uma placa com os dizeres “Bem vindo a Gildsdale!”. As casas eram pequenas e brancas, havia algumas lojas, mas a maioria eram casas normais. O sol iluminava a pintura brilhante dos imóveis, com tanta força que doía vê-los diretamente, Twilight queria ter uns óculos escuros naquele momento e se lembrou daquele que Rainbow Dash usava.
Ela andava pelas ruas, procurando por algo, qualquer coisa que pudesse ajudá-la a encontrar um caminho de volta. “Ou talvez eu esteja apenas procurando Trixie para saber o que a levou a fazer isso”. Twilight sorriu levemente.
A unicórnio roxa passou por um mercado onde os vendedores anunciavam em voz alta os benefícios de seus produtos. Foi onde ela viu uma barraca de pão, seu aroma anunciava que tinha acabado de sair do forno, além de um delicioso cheiro de canela que a deixou com água na boca.
“Desculpe-me”, disse Twilight à pônei bronzeada, com cabelos loiros ao lado da barraca. “Eu gostaria de um pedaço de pão, por favor”.
Twilight estava prestes a tirar seu dinheiro da bolsa, quando uma voz rude lhe respondeu:
“Lamento, não temos nada para você”.
Com a confusão evidente em seu rosto, Twilight virou-se para o pônei.
“Perdão?!”
“Não temos nada para uma artista sem talento. Repetiu o pônei em um tom ainda mais rude”.
Além de confusa, Twilight se sentiu um pouco magoada.
“Do que você está falando??”
“Não se faça de inocente, saia daqui antes que eu chame os guardas”.
Ela saiu e tentou a sorte em outros lugares, mas onde quer que fosse, os proprietários diziam a mesma coisa, a recusavam e a chamavam de malandra vigarista. Olhando mais atentamente, percebeu que outros pôneis próximos ficavam olhando e cochichando sobre ela.
No final, sentada em um banco, soltou um longo gemido de frustração.
“O que está havendo?? os pôneis daqui não são nada gentis e parecem achar engraçado tratar mal os forasteiros.”
Por um momento Twilight sentiu seu coração dar um salto, o sotaque que começou a ouvir era tão familiar, apesar de ser uma voz diferente. Virando para o lado, ela viu uma barraca de maçãs perto dela e, depois disso, a figura de um pônei, seu cabelo era verde e amarelo listrado, crina clara, assim como a calda, usando uma fita no final de sua crina e sua marca especial parecia três bolos de sabores sortidos.
Naquele momento, ela percebeu aqueles olhos verdes olhando para ela como se fosse alguma sujeira não removida.
Demorou um pouco para Twilight se lembrar de quem era, mas conseguiu.
“Applefritter, você estava na reunião da Família Apple, certo?”
“Como ocê sabe meu nome?” perguntou com um sotaque forte, mas com um olhar ainda mais feio do que antes.
“Nós nos encontramos naquela reunião.” Respondeu Twilight. “Foi meu primeiro dia em Ponyville”.
“Eu não sei do que ocê tá falando.” A pônei bufou. “Eu nunca vi ocê antes, mas Applejack me contou tudo a seu respeito nas cartas que recebi dela”.
O coração de Twilight saltou novamente.
“Disse que ocê tem uma língua afiada, uma impostora que dizia ser muito especial …”
A unicórnio sentiu seu coração cair em um poço profundo, deixando em seu peito um vazio tão grande quanto o seu casco. A vendo deprimida, Applefritter jogou-lhe uma maçã.
“Aqui, mesmo que ocê seja uma boba, não vou deixar um pônei morrer de fome na minha frente.”
A unicórnio agradeceu sem jeito e deixou a cidade enquanto comia a maçã com a cabeça cheia de perguntas sobre onde estava, como chegou lá, e por que Applejack teria dito aquilo tudo sobre ela em suas cartas.
Perdida em pensamentos, não percebeu que tinha percorrido de volta para a carroça de Trixie, quase se chocando com ela. Ao olhar para ela, porém, seus olhos arregalaram.
Em sua lateral estava pintado o sinal típico de boas-vindas, feito com redemoinhos ornamentado e curvas intrincadas com muitos detalhes, mas o que realmente impressionou foi a pintura no meio. Estava a ilustração da própria Twilight, usando o chapéu e capa de Trixie, esticando as patas dianteiras em uma pose arrogante, e sobre a sua cabeça, a frase:
‘A Grande e Poderosa Twilight’
Twilight não sabia o que pensar. Sua mente estava perdida confusão, sem idéia do que estava acontecendo. Levou de cinco a dez minutos apenas balbuciando incoerências, falando sozinha ao lado da carroça.
Mas no final, conseguiu organizar seus pensamentos.
“Não pode ser, não pode… primeiro acordo em um lugar estranho, enfrento olhares de repúdio, e agora isso? Ou Trixie está me pregando uma peça digna de um prêmio, ou de alguma forma estou vivendo a sua vida. Então isso significa que …”
Ela soltou um suspiro, e afastando-se, correu novamente em direção de Gildsdale.
Após a chegada, pensou em pressionar o dono da loja para vender-lhe um mapa de Equestria, mas finalmente decidiu levá-lo e deixar o dinheiro no balcão antes de sair correndo, desacelerando para uma caminhada até alcançar os limites da cidade, onde abriu o mapa, localizando Ponyville e Gildsdale nele.
Twilight deixou escapar um gemido, pois a viagem levaria dois dias, pelo menos, com uma parada em outra cidade antes de continuar. Irritada, ela foi até a carroça de Trixie novamente, não gostava da idéia de usá-la, mas era melhor do que dormir no chão.
Sem perder tempo, começou a testar como fazer ela se mover, no final, só tinha que andar na frente e puxá-la com sua magia, a carroça era mais leve do que parecia e não exigia muito esforço. Com pressa, Twilight entrou na estrada, ansiosa para começar a sua jornada.
Depois de dez quilômetros, estava detestando cada um de seus passos. Sua pele estava suja e empoeirada, a boca tinha gosto de terra, as costas doíam por estar puxando a carroça, em suma, ela realmente queria gritar.
A unicórnio parou para descansar na beira da estrada, onde ficou refletindo sobre o que aconteceu. Esta era a vida de Trixie, e pelas evidências que havia encontrado foi assim por muitos anos. Twilight ainda estava zangada com ela, mas também tinha pena. Mesmo assim ela não poderia desistir, tinha que voltar para Ponyville e confrontar Trixie sobre o ocorrido.
O sol estava se pondo quando ela chegou em uma vila, que de acordo com o mapa se chamava Lockburg. Era um pouco maior que Gildsdale e seus moradores pareciam na maioria pôneis agricultores. A julgar pelo número de celeiros, havia pelo menos seis fazendas que cercavam a cidade, e três moinhos de vento aparentemente utilizados para moer os grãos colhidos.
Twilight sabia que era inútil observar essas coisas, e ainda que gostasse de se distrair começou a descer em direção à cidade, o que facilitou os últimos quilômetros. Depois de revistar sua bolsa enquanto caminhava, a unicórnio suspirou quando percebeu que tinha pouco dinheiro, apenas o suficiente para uma pequena refeição. Uma voz em sua cabeça lhe disse, lembrando da carroça, que poderia fazer um show para ganhar dinheiro.
“Não.” Twilight murmurou para si mesma. “Eu não quero recorrer a isso, sou aluna da Princesa Celestia, e não devo fazer shows para os outros”.
Twilight ficou surpresa com sua própria declaração um pouco arrogante e estremeceu quando sua mente lembrou: “Mas você não é você neste momento. Você não está presa na vida de uma unicórnio artista? De que outra forma vai ganhar a vida?”
“Mas não tenho a intenção de ganhar a vida desta forma.” murmurou Twilight. “Devo encontrar Trixie para termos nossas vidas de volta ao normal”.
“E condenar ela a viver essa vida de novo?” Perguntou a consciência de Twilight, que tentava ignorar esses pensamentos enquanto ela se aproximava da aldeia.
A noite caiu e Twilight ainda estava indecisa sobre o que fazer. A escuridão assustava mais e mais, como se uma força invisível estivesse tentando roubar suas esperanças. Ela estava com muita fome, e seu estômago doía a ponto de deixar seu orgulho de lado, decidindo levar a carroça até a cidade. Com um pouco de sorte, talvez poucos pôneis se aproximariam e assim não chamaria tanta atenção.
Mas a sorte não estava do seu lado naquela noite. A carroça passou por um solavanco, quando entrou na praça central, fazendo uma alavanca no interior se mover, ligando o alto falante que estava no volume máximo. Nada menos do que a voz da própria Twilight começou a falar pelas caixas de som:
“VENHAM, VENHAM TODOS!! VEJAM A GRANDE E PODEROSA TWILIGHT! MESTRA DA ILUSÃO! ARTISTA DESLUMBRANTE! MÁGICA EXTRAORDINÁRIA! A UNICÓRNIO MAIS PODEROSA DE EQUESTRIA! APENAS POR UMA NOITE, VENHAM!!”
A mensagem repetia, enquanto Twilight corria que nem doida para dentro da carroça tentando desligar os altos falantes, onde encontrou a alavanca perto da parede, junto com muitos outros botões que aparentemente ativavam outras funções durante o show. Espiando o lado de fora, Twilight torcia para que poucos pôneis tivessem escutado.
Mais uma vez a sorte não estava lá porque havia se formado uma grande multidão. A maioria parecia estar um pouco curiosa, mas também havia vários olhares céticos entre os espectadores. Tentando não entrar em pânico, teve um minuto para se acalmar, percebendo que agora tinha que apresentar o show. Quase sem pensar, levitava o chapéu e casaco de Trixie, os vestindo. Certamente, se Trixie podia fazer alguns truques simples, Twilight poderia fazer melhor.
Ela puxava uma outra alavanca enquanto se preparava, com a sensação de que estivesse assistindo a si mesma, falando sobre alto falante:
“Senhoras e senhores, preparem-se para a Grande e Poderosa Twilight!”
Momentos depois, ela apareceu no palco com o seu feitiço de teletransporte, com um largo sorriso, ela se sentia confiante. Poderia fazer isso.
Twilight galopava mais rápido que pôde, como se sua vida dependesse disso. O palco sacudia com a sujeira da plataforma que ela não teve tempo de limpar. Depois dos show, a multidão fazia um barulho ensurdecedor com seus cascos correndo atrás dela, alguns unicórnios arremessavam frutas que manchavam a casaco e chapéu de Twilight enquanto corria.
Foi só depois de um quilômetro, passando pela ponte da cidade, que os moradores começaram a parar, voltando para suas casas. Twilight finalmente foi capaz de descansar e pensar sobre os últimos acontecimentos. Tudo estava tão embaçado.
Lembrou-se de ter começado com alguns truques simples: teletransporte, levitação, e alguma destreza com os cascos (fazer as coisas aparecerem e desaparecerem). Depois vieram as histórias. Sua história de como derrotou o Ursa Menor foi a primeira, depois foi seguido por outros, e cada um deles, aparecia como a heroína que salvou suas amigas. Também contou como ela foi transformada em pedra e depois salva por Fluttershy.
Quanto mais se recordava de sua atuação, menos queria manter em sua memória, especialmente a parte em que deu tudo errado: os desafios. Como Trixie fez, desafiou os outros para provar suas habilidades, e como ela, os humilhou em cada etapa. Já era ruim o suficiente humilhar os outros sem ter essa intenção, mas quando um passo em falso fez uma potranca ser arremessada acidentalmente em uma barraca de frutas, as coisas ficam feias bem rápido. Twilight mal teve tempo de pegar a carroça e correr antes que os moradores fossem atrás dela, gritando de indignação.
A unicórnio gemeu e caiu contra a lateral da carroça.
“O que em nome de Celestia aconteceu comigo?” Perguntou irritada, batendo sua nuca contra a parede da carroça atrás dela. “Eu nunca tinha feito isso, nunca estraguei tudo com a minha magia, e nunca, nunca e nunca, me gabei pra ninguém antes”.
Ela levou um tempo para se acalmar. Tudo o que podia fazer agora era dormir um pouco para se recuperar, estava bem longe da cidade e teoricamente segura. Depois da gravação ligar acidentalmente mais uma vez, ela recolheu o palco. Trancou as portas, ignorando seu estômago roncando. No dia seguinte, em Ponyville, tudo estaria resolvido.
Subindo a colina, Twilight viu as pessoas que veio a conhecer e amar ao longo do ano passado. Estava ansiosa para ir em sua casa e ver Spike e suas amigas, e saber o que Trixie tinha feito.
Enquanto caminhava para a cidade, pensava em um plano. Esperava que entre as suas amigas houvessem duas que pudessem ouvi-la: Fluttershy e Applejack. A primeira é muito gentil e a honestidade natural de Applejack poderia fazê-la acreditar que Twilight estava dizendo a verdade.
Parecia que iria se encontrar primeiro com Applejack, já que a estrada para Ponyville passava bem em frente da entrada do Rancho Maçã Doce. Ela estava se aproximando do rancho, quando ouviu um barulho. Parecia um zumbido alto, que ficava mais forte a cada segundo. Quando ela reconheceu o bater de asas já era tarde demais, o skate das Cutie Mark Cruzaders saltou sobre uma colina e parou a poucos metros de distância, levantando uma nuvem de poeira.
Depois de tossir abanando a poeira, Twilight viu as três pequeninas que já conhecia. A primeira a falar foi a Pegasus líder, limpando a poeira de sua pele tangerina e crina cor de rosa, agitando-a para remover seu capacete.
“Ei, ela não é familiar?”
“Duh” a pônei amarelo respondeu, sacudindo a crina e cauda vermelha e ajustando o laço cor de rosa em sua cabeça. “Não se lembra do ataque da Ursa Menor?”
“Oh, sim, ela tentou impedí-la!” Disse a unicórnio branco.
“E falhou. “ competou a Pégasus.
Twilight apenas sorriu, feliz por vê-las.
“Scootaloo, Apple Bloom, Sweetie Belle! Não se lembram de mim?”
“Uh, sim.” Scootaloo respondeu, dobrando suas asas. “Por que você voltou aqui? não fugiu assustada naquela noite?”
“Eu ouvi que Trixie a humilhou naquele dia”. Disse Sweetie Belle.
“Espere um minuto.” suspirou Twilight. “Trixie está mentindo, não foi assim que aconteceu”.
“Eu não sei.” Respondeu Apple Bloom. “Ouvimos alto e claro de Ferocius”.
Twilight ficou confusa, mas não pela primeira vez.
“Ferocius?” Ela perguntou.
“Sim, o assistente de Trixie na biblioteca.” Disse Scootaloo. “Nome legal, mas não acho que faça jus a ele”.
Twilight se sentiu perdida por um momento. Spike, eles estavam falando de Spike. A magia era mais profunda do que ela pensava, não apenas a vida de Twilight e Trixie havia sido mudada. Trixie tinha substituído Twlight no momento de seu exame de admissão na escola da Princesa Celestia. Ela chocou o ovo de Spike em seu lugar, e deu outro nome para ele.
Com estes últimos pensamentos, ela ouviu outra voz.
“Meninas, venham. Não quero vocês ouvindo essa impostora”.
Twilight virou-se rapidamente, nunca estive tão feliz em ver uma de suas amigas.
“Applejack!” disse respirando de alívio.
“Então se lembra de mim?” Perguntou a pônei laranja, levantando o chapéu e observando Twilight enquanto as cutie mark cruzaders passavam. “Estou surpresa, nunca pensei que você fosse capaz de lembrar do nome dos pôneis que já humilhou”.
“Por favor Applejack, me escute … “ Implorou Twilight.
“Eu não vou escutar nada, acho que todos merecem uma chance de se redimir, mas não confio nem um pouco em você. Então faça o que tiver que fazer em Ponyville e saia”.
Twilight engasgou, magoada, vendo Applejack se afastar.
“Você ainda é minha amiga, AJ”. Disse Twilight, voltando para a estrada. “Sempre”.
Sem se virar, a unicórnio continuou em direção à vila, puxando a carroça atrás dela, sem ver que Applejack se virou para olhar para ela, confusa e um pouco triste.
Twilight esperava o próximo encontro, Rainbow Dash era uma presença constante nos céus de Ponyville, então não ficou surpresa assim que ela apareceu na sua frente.
“Então está de volta, hein?” Ela disse, olhando para Twiight com seus olhos rosa e crina de arco íris caindo ligeiramente sobre eles. “Você vai fazer um show de verdade dessa vez? Ou está aqui apenas para ridicularizar e deboxar dos outros de novo?”
Ela nem tentou responder, apenas retornou um olhar profundo e chocado.
“Não, Rainbow Dash, eu não estou aqui para começar qualquer coisa”.
O olhar era tão forte que Dash recuou, parecendo preocupada.
“O que você está fazendo? É algum tipo de truque? está tentando me amaldiçoar?”
Twilight respondeu com um sorriso pequeno, mas não conseguia ser visto pela Pegasus.
“Rainbow, depois de conhecer Zecora, você deve saber que não existe esse negócio de maldição.”
Isso foi suficiente para a Pegasus. Parecendo confusa, fraca, muito ansiosa para conversar com suas outras amigas. Twilight não tinha certeza porque não tentou convencer Applejack e Rainbow Dash de quem ela era, de alguma forma sabia que suas tentativas seriam inúteis depois do que ela viu.
Deixando a carroça na praça central, o unicórnio foi para a biblioteca, cada passo a fazia temer sobre o que estava prestes a encontrar, mas ela tinha que saber, ver o que tinha acontecido.
Na estrada acabou passando por um outro lugar que conhecia, tentou passar pela boutique sem ser vista, mas a unicórnio branca saiu para fora da porta naquele momento. De início preferiu ignorar a pedestre roxa passando em frente a ela, mas sua indignação era mais forte.
“Se você fizer a minha crina ficar verde de novo, vai ficar dolorida por um mês!”
“Rarity…” disse Twilight sorrindo, sentindo-se estranhamente desligada a partir do momento em que esteve com Dash. “Sempre dando um presente, mesmo quando alguém não quer.”
Assim como Dash, Rarity foi pega de surpresa, piscando confusa.
“Tudo o que você acha que sabe sobre mim, Rarity.” suspirou Twilight. “É uma mentira. Eu não posso explicar porque e sei que você não vai acreditar, mas nós somos amigas, temos sido por um longo tempo”.
“Amigas?”Rarity agiu como se fosse um comentário mordaz, duvidoso.
Twilight suspirou de novo, podia ver a confusão nos olhos de Rarity. Novamente, não sabia porque não tentou convecê-la. Talvez sua mente estivesse apenas focada em Trixie, pois se pudesse enfrentá-la tudo estaria resolvido. Ou talvez apenas não quisesse envolver Rarity e suas outras amigas na confusão.
Pelo menos a árvore ainda estava de pé, de modo que parecia ser um bom sinal para Twilight enquanto se aproximava da biblioteca. Caminhando para a porta estava um pouco nervosa. Seu corpo tremia quando ela tocou na porta.
“Quem deseja ver Trixie, a mais poderosa Unicórnio aprendiz de Celestia?”
A voz soava entediada e cansada, mas Twilight a reconheceu imediatamente.
“Alguém que já percorreu um longo caminho e tem algumas palavras para trocar com ela”.
A porta se abriu e logo após o pequeno dragão roxo que ela conhecia muito bem a recepcionou, franzindo a testa enquanto falava:
‘Ah, é você”. Apesar de não gostar de vê-la, Spike / Ferocious deixou entrar.
A biblioteca parecia a mesma de sempre, porém menos organizada do que o habitual. A mesa de Twilight estava uma confusão de papéis e penas quebradas, livros espalhados por toda parte, alguns empilhados em montes.
“O que aconteceu com a biblioteca, Spike?” Perguntou Twilight, incrédula com o que viu.
Demorou um tempo para o dragão perceber que ela estava falando com ele.
“Meu nome é Ferocius, Trixie disse que um dragão deve ter um nome forte. Ela não me daria um nome como Spike.” O dragão parou por um momento, confuso.
Antes que pudesse falar algo, ouviu uma voz familiar vindo de cima.
“Ferocius, seja gentil e traga um pouco de chá para a nossa hóspede. Eu quero falar com ela”.
O dragão correu até a cozinha, enquanto a unicórnio azul descia as escadas, vestindo um enorme chapéu de sol e um vestido que cobria a sua crina e cauda.
“Então Twilight, você voltou.” Disse, sorrindo. “Imaginei que voltaria logo. Melhorou os seus shows?”
“Trixie..” respondeu Twilight, tentando manter a voz calma. “O que está acontecendo aqui? Aposto que está por trás disso”.
A unicórnio azul riu.
“Bem, então você não está apostando muito, querida. Mas sim, você está certa, eu sei o que está acontecendo.”
“Por que?” Perguntou Twilight. “Por que está fazendo isso?”
“Porque estava cansada da minha vida.” respondeu Trixie. “Você já viu como é. Viajando de cidade em cidade, sempre sendo julgada pelos outros, sem nunca ter um verdadeiro amigo. Eu vi você e seu pequeno grupo e decidi que queria o que você tinha, e essa foi a melhor maneira de obtê-lo”.
“Então você roubou minha vida?” Twilight estava tendo dificuldades para manter a calma.
“Foi mais como uma troca.” Respondeu friamente. “Eu te dei minha vida para fazer algo com ela, e em troca tenho a sua. Eu não sou cruel”.
“Duvido”. Retrucou Twilight.
“Não, eu não sou. Alguém verdadeiramente cruel teria roubado sua vida sem te deixar com nada. Eu encontrei um antigo feitiço que permitiu o intercâmbio de vida entre unicórnios, através de um pequeno amuleto”.
Trixie levitou um pingente em volta do seu pescoço. Quase idêntico ao de Twilight, só que este estava pendurado de cabeça para baixo, com a ponta pra cima.
“Há um problema, porém”. Admitiu Trixie. “A magia é temporária, quanto mais tempo fica ativado mais permanente se torna. Você tem se olhado no espelho?”
Twilight ficou atordoada quando Trixie tirou o chapéu. Sua crina e cauda, ao invés de branca, estavam em azul marinho com uma faixa cor de rosa e um roxo escuro. Twilight procurou desesperadamente por um espelho, onde viu que sua crina e calda agora estavam na cor branca de Trixie.
“Sim.” disse Trixie, sorrindo. “Quanto mais tempo ativo, mais detalhes são trocados. A única coisa que serão mantidas são nossas memórias. No final, você será como eu e eu como você, exceto pelo nome”.
“Isso não pode estar acontecendo.” Disse Twilight angustiada. “Você tem que parar isso!!”
“Oh! Se eu pudesse…” disse Trixie, embora fingindo. “Mas não sei como”.
Twilight duvidou que fosse verdade, mas sentiu que não poderia forçá-la. Precisava de apoio e não tinha ninguém. Assim, enquanto “Ferocius” voltava com o chá, Twilight correu, mostrando uma grande fúria, mas também sentindo um grande vazio ao deixá-lo para trás. O dragão ficou confuso com sua fuga, e Trixie observava sorridente.
Twilight correu sem saber para onde ir ou o que fazer, só queria ir embora. O que Trixie havia dito a deixou se sentindo mais desamparada do que nunca. Não havia amigos para procurar ou entrar em contato, nem com a Princesa Celéstia, não podia sequer verificar a biblioteca para obter ajuda, e o tempo estava se esgotando. Se soubesse antes sobre isso, talvez tivesse tempo para pensar em um plano, mas agora o tempo era curto. Ela só queria fugir de tudo.
Infelizmente, correndo cegamente, fez Twilight trombar no pônei que ela não queria ver naquele momento.
“M…me desculpe …” a pégasus amarela falou suavemente. “Você está bem?”
“Não, não estou.” Disse Twilight olhando para o par de olhos azuis que irradiavam a ternura. “Mas não há nada que possa mudar isso”.
“Isso não é verdade.” disse Fluttershy com a voz um pouco mais alta. “Tudo muda, os girinos se tornam sapos, lagartas em borboletas …”
“Os pôneis não mudam.” Disse Twilight, abaixando a cabeça triste.
“Claro que mudam.” Fluttershy sorriu e gentilmente levantou o queixo de Twilight com o casco. “Você pode não saber, mas eu me lembro da primeira vez que veio aqui, agindo como uma arrogante. Mas agora vejo algo diferente, você parece mudada.”
Twilight riu um pouco, apesar de feri-la.
“Não, eu estou e não estou ao mesmo tempo. Fluttershy, por favor, esqueça que você me viu. Será melhor para todos”.
A Pegasus parecia confusa, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, o chifre de Twlight começou a brilhar, a teleportando para longe, e aparecendo no meio da cidade, ao lado da carroça. Olhando para a imagem na carroça, percebeu que ela havia mudado não só na crina, mas agora a cor de sua pele estava azul. E ao enxergar a si mesma, percebeu que o mesmo tinha acontecido com seu corpo.
Ela não tinha tempo. Mesmo que tivesse vontade de entrar forçado na biblioteca para achar uma solução, não haveria tempo para realizá-lo. Se Spike estivesse com ela poderia enviar uma mensagem para a Princesa Celestia, mas, novamente, o tempo estava escasso. Parecia que o mundo estava contra ela novamente.
“Olá!”
Rosada. Diferentes tons de rosa apareceram na frente de Twilight. Chamativa como ela era, não podia acreditar que a pônei terrestre surgiu furtivamente diante dela.
“Eu sabia, reconheci essa carroça!” Disse Pinkie Pie, sorrindo, com sua voz acelerada de sempre. “E sabia que pertencia a você, então fiquei esperando voltar, porque queria falar com você. Apesar de que foi muito maldosa da última vez que te vi aqui. Mas sabia que algo em você mudou para voltar!”
A pausa na conversa era quase dolorosa. Twilight queria pelo menos evitá-la, Pinkie não precisava lidar com isso.
O olhar de Twilight era tão triste e magoada como alguém abandonado na chuva. Naquele momento, as cores de Pinkie ficaram opacas, seu cabelo tornou-se liso, como se seu próprio estado de espírito refletisse o de Twilight.
“Desculpe desapontá-la, mas devo partir”. Disse Twilight suavemente, enquanto abria a porta da carroça com sua magia.
“Não vai não!”
Applejack apareceu por trás da porta que acabou de abrir, saltando bem na frente de Twilight, parecia séria, mas não com raiva. Twilight não fez nada.
“Não posso deixar você ir, porque há algo que eu não entendo.” Disse Applejack. “Eu não posso explicar, mas depois de conhecê-la, não me senti muito bem, como se houvesse algo errado”.
“Eu também.” Disse Rainbow Dash, aparecendo do nada e de surpresa para todos, olhando para Twilight. “Também não posso explicar, mas quando eu te vi, senti algo, algo que não tive como descrever”.
“Nós também.” Completou Rarity, aparecendo ao lado Fluttershy. “Agora você pode nos dizer o que está acontecendo”.
Essa foi a gota d’água. Vendo todas as suas amigas juntas, Twilight perdeu o controle e chorou incontrolavelmente em seus cascos. Era inacreditável para ela. Twilight não sabia como se expressar, era uma dor terrível que não podia compreender.
Fluttershy foi a primeira a reagir. Sem hesitar, ela abraçou a unicórnio, a acariando suavemente, sem falar nada. Apenas lhe dando o carinho que precisava. Pinkie Pie se juntou a elas, do outro lado da unicórnio e no final, um por um, elas abraçaram Twilight, lá na praça da cidade, em frente de todos os pedestres.
“Por favor.” Disse Fluttershy baixinho, quandoTwilight tinha se acalmado. “Conte-nos o que aconteceu”.
Twilight contou tudo, tudo o que conseguia lembrar, de como as coisas eram antes e como tudo mudou quando acordou na carroça de Trixie, até o momento em que se encontrou com ela na biblioteca. Ela começou a ficar deprimida e a pégasus amarelo suavemente a acalmava, observando os outros.
Ninguém disse nada por um longo tempo, até que Applejack foi a primeira a falar.
“Bem…” ela suspirou lentamente. “Eu não sei se isso é verdade, mas pelo menos Twilight parece estar sendo sincera”.
“Isso realmente aconteceu?” perguntou Rarity surpresa. “Então, todo este ano com Trixie tem sido uma mentira?”
“Agora que você disse…” Applejack suspirou. “Se lembra da primeira vez que nos conhecemos? Trixie era diferente. Na verdade, foi mais como Twilight é agora”.
“Sim!” disse Rainbow Dash um pouco confusa. “Nos últimos dias, ela estava agindo como uma “Princesa de Equestria’, e era uma completa mal agradecida. E ainda tratava ferocius com desprezo.”
“Ainda assim…” continuou Rarity. “É uma história difícil de acreditar. Quer dizer, cada pônei que conhecemos, sendo trocado por outro? Sério? Não seria mais fácil dizer que ela pode estar inventando tudo isso?”
“Sim, mas e se não estiver?” Surpreendentemente, Pinkie Pie era a voz da razão, as cores voltavam ao normal enquanto ela falava. “Pense nisso, se Trixie não é quem ela diz ser e Twlight é o que dizem, então, ela é nossa amiga e não Trixie, certo?”
“Então você acredita em mim, Pinkie?” Twilight perguntou, sem saber.
“Bem, digamos que eu acredito mais nas palavras de um estranho carinhoso que em uma amiga mala”.
“Pinkie, você realmente nos assusta quando dá sentido às coisas.” Murmurou Dash.
Em seguida, uma nova voz foi ouvida.
“Bem, bem, o que temos aqui? A fanfarrona fez uma última tentativa antes de ir embora?”
Twlight olhou e viu a si mesma. Havia pequenos detalhes que ainda eram de Trixie, mas agora a mudança estava quase completa, parecia quase idêntica à Twilight, exceto pela sua marca especial que ainda estava diferente.
“Na verdade Trixie…” Falou Applejack, se levantando. “Nós queremos algumas respostas. Twilight nos contou uma história sobre você, onde uma teria a vida da outra. E quer saber? Acho que ela está dizendo a verdade.”
“Oh, por favor, isso é o que ela sempre faz.” Disse Trixie. “Ela mente, lembra-se quando disse que tinha vencido uma Ursa Maior, mas não conseguiu nem mesmo contra uma Ursa Menor? Patético”.
“Não, você é a patética.” Respondeu Rainbow, levantando-se também. “Minhas lembranças me dizem que minha amiga nunca teria chamado alguém de “patética”, nunca teria zombado de ninguém e sempre tentaria ajudar os outros”.
“Sim…” Disse Trixie, olhando com desprezo. “Todos me aplaudiram quando fiz ela sair correndo para fora da cidade naquele dia”.
Houve um longo silêncio, Twilight podia sentir a tensão nos rostos de suas amigas, até Fluttershy parecia conter sua raiva.
Trixie olhou para cada um deles, sem saber o que fazer, pensou que tinha cavado sua própria cova.
“Trixie, você está mentindo!” rosnou Rainbow Dash. “Twiligh é de quem me lembro, não de você! A pônei que fugiu naquela noite nunca olhou para trás. Além disso, minha amiga disse “deixa ela ir, talvez um dia aprenda a lição!!”
Trixie olhou assustada, seu chifre começou a brilhar, mas antes que pudesse usar sua magia, Rarity arrancou um toldo próximo e o dobrou até ficar no formato de uma corda, envolvendo Trixie nele para que não conseguisse escapar.
“O que está fazendo? Pare! Eu sou sua amiga, não pode fazer isso!”
“Então, como vamos corrigir isso?” Perguntou Applejack sem idéias.
“Acho que sei como.” Disse Twilight enquanto se aproximava de Trixie. Ela levantou o colar de seu pescoço para compará-lo com o dela.
“O que você está fazendo??” Trixie parecia pânico. “Não, pare! Por favor! Não!”
Twilight pressionou as duas metades, formando um único pingente circular. Uma luz brilhante cegou a todos, espalhando ondas de energia enormes. Twilight piscou até que seus olhos voltaram ao normal.
Instintivamente, olhou para a carroça. O nome de Trixie tinha sido substituído e agora era a unicórnio azul pintada na lateral. Olhando para ela, sorriu, ao ver sua pele e crina roxa que sempre teve.
“Funcionou?” Perguntou Twilight, virando-se para ver os outros.
“Sim!” disse Applejack sorrindo. “Agora me lembro de tudo como sempre foi e deveria ser, você é e sempre foi nossa amiga”.
“Eu também me lembro.” Sorriu Rainbow Dash junto com as outras.
“Mas o que aconteceu?” perguntou Spike, parecendo um pouco atordoado e confuso. “Quem é Ferocius?”
“Vou explicar mais tarde.” Disse Twilight enquanto abraçava o dragão feliz por te-lo de volta.
“E o que vamos fazer com ela agora?” Perguntou Rarity, apontando para Trixie.
“Bem, todo mundo merece uma segunda chance.” Disse Twilight suspirando. “Pelo menos, devemos dar a ela”.
Twilight a desamarrou com cuidado, mas ninguém estava preparado para ver Trixie chorando como ela fez recentemente. A unicórnio azul chorava falando:
“Por que? Porque você não pode me deixar ter amigos?”
“Foi por isso?” Perguntou Twilight gentilmente para Trixie. “Você não pode forçar os outros a serem suas amigas …”
“Cale-se!” Trixie interrompeu, em meio às lágrimas. “Você não sabe nada sobre mim!”
“Então talvez você deva dizer.” Respondeu Twilight na frente dela, as outras seguiram o exemplo, formando um semicírculo em frente à unicórnio azul. Naquele momento ela teve a oportunidade de fugir, mas felizmente não o fez.
Demorou alguns minutos para enxugar as lágrimas e se acalmar para começar a sua história.
Como Twilight, ela nasceu em Canterlot, mas ao contrário dela, seus pais nunca a apoiaram. Eles nunca se sentiam satisfeitos com ela.
“Se eu fizesse levitar uma bola, eles me perguntavam porque eu não poderia levitar uma mesa, se eu me teleportasse alguns passos, me perguntavam por que não poderia me teleportar até o outro lado da sala. E cada vez que eu fazia uma mágica gritavam por eu não ter feito melhor ..” Trixie sentiu que ia chorar antes de continuar, mas conseguiu se conter.
Continuou dizendo que, quando teve idade suficiente, os pais dela também a matricularam na Escola da Princesa Celestia para unicórnios Superdotados. Mas ao contrário de Twilight, não passou no exame. Seus pais nem sequer se preocuparam em ir vê-la e teve que voltar para casa sozinha, temendo, a cada passo do caminho, o que iria acontecer.
“No caminho de volta, vi um pônei fazer alguns truques em uma das praças de Canterlot.” Trixie parecia melancólica enquanto se recordava do evento. “Ele era incrível com os malabarismos e shows de mágica. Eu me diverti assistindo por duas horas. No final, o show terminou e eu tive que voltar para casa, temendo o que aconteceria por chegar tarde e reprovar no exame.” Trixie estremeceu.
“Foi o pior momento da minha vida. Meus pais estavam com raiva e senti que eu ia chorar por horas. Meu pai estava furioso. Eu queria responder mas não consegui. Senti a raiva nascendo em mim até que … algo quebrou. Eu perdi o controle por um minuto e quando minha mente clareou, minha mãe estava de pé ao lado de meu pai, inconsciente. Eu também vi um pouco de sangue na cabeça dele.”
“Eu não pensei, só corri.” Trixie começou a chorar, ignorando os olhares assustados dos pôneis. ”Eu corri o mais rápido que podia. Acabei me encontrando com o pônei que tinha apresentado o show, ele pensou que eu era uma criança abandonada e me levou sob seus cuidados. Nós deixamos a cidade naquela noite e nunca mais os vi. Ele me ensinou os truques necessários para o show, me deu uma casa e graças a ele eu aprendi a sobreviver por conta própria”.
“Mas o que aconteceu com seu pai?” Perguntou Rarity, mostrando preocupação em sua voz. “Com certeza você deve saber”.
Trixie balançou a cabeça negativamente.
“Não, deixei Canterlot naquele dia e nunca mais o vi. Sempre achei que o pior aconteceu, que meu feitiço o matou … Eu matei o meu próprio pai …”
Twilight notou que ela estava prestes a chorar novamente e tentou evitar.
“Você pode estar errada. Tem que voltar e descobrir o que aconteceu.”
“Não, não vou voltar.” Trixie respondeu um pouco irritada. “Estou bem em meu próprio caminho, eu amo fazer shows. Até …”
“Até a noite com a Ursa Menor?” Perguntou Dash.
“Eu nunca me senti tão impotente naquele dia.” Trixie gemia. “E depois eu não conseguia parar de pensar em Twilight e como ela tinha tudo aquilo que eu realmente queria: amigos, uma família que me amava, magia poderosa, para não mencionar ser aprendiz de Princesa Celestia e seu próprio dragão servo”.
“Spike é o meu assistente, e se quer mesmo saber eu o amo como um filho.” Twilight a corrigiu. “Eu o trato da mesma forma como trato minhas amigas.” Depois de uma pausa Twilight suspirou e disse: “Você já tentou fazer amigos?”
‘Não, eu sou uma artista viajante e ninguém nunca me quis por perto”.
“Por que será?” disse Rainbow Dash olhando para os lados, e recebendo uma cotovelada de Rarity para ficar quieta.
“Eu encontrei um velho feitiço.” Trixie suspirou. “Dizia que eu poderia trocar de lugar com outra unicórnio. Eu só queria a oportunidade de ter alguns amigos, e quando vi que essa oportunidade estava ao meu alcance, não poderia desperdiçá-la. Fiquei feliz com a possibilidade de ter alguns amigos, de me sentir amada.”
“Trixie…” Twilight suspirou. “Você não pode fazer os outros como você. A amizade é algo que acontece. Um elo comum que você e outros devem compartilhar. Algo que é cultivado e nutrido, a ser valorizado e bem cuidado”.
Houve um longo momento de silêncio, interrompido pela voz do Applejack.
“O que faremos agora?”
“Tenho uma idéia.” Disse Twilight. “Será que vocês poderiam levar Trixie de volta para a biblioteca? Estarei lá daqui a pouco”.
O unicórnio azul não tentou fugir, apenas abaixou a cabeça com as outras pôneis a acompanhando.
“Venha Spike, temos um trabalho a fazer.”
“Que tipo de trabalho?” Perguntou Spike, um pouco ofendido ao ser chamado de servo.
“Uma pônei precisa da nossa ajuda e é justo que façamos o possível para resolver seu problema.”
Duas horas depois, Twilight se juntou com suas amigas na biblioteca. Ficou surpresa ao entrar pela porta, como se finalmente fosse sua casa. Spike veio logo atrás dela, carregando uma pilha de pergaminhos, cada um enrolado com uma fita de cor diferente.
Não se surpreendeu ao ver o que havia passado desde a última vez que veio na biblioteca, com a bagunça, poderia descobrir o que aconteceu sem perguntar a ninguém. Rarity insistia sobre a limpeza, enquanto que Applejack tinha trazido almofadas para todos se sentarem; Pinkie Pie foi para a cozinha fazer alguns doces (E Twilight sabia que ia ser outra bagunça para limpar depois) e, a julgar pela pequena nuvem no quarto, Rainbow Dash tinha insistido em ficar próxima de Trixie, a monitorando para ficar onde estava.
De certa forma, era um meio de boas vindas para Twilight vendo que tudo voltou ao normal.
“Tudo bem, escutem todos!” Disse Twilight sorrindo. “Eu tenho uma notícia importante. Primeiro, tomei a liberdade de escrever uma carta para Celestia, perguntando se ela poderia nos dizer o que tinha acontecido para os pais de Trixie. Segundo, também pedi para a Princesa se ela poderia dar a Trixie uma segunda chance no exame da escola. Em terceiro lugar, falei com a Prefeita sobreTrixie poder trabalhar no teatro local, prometendo que suas ações seriam seguras e sem ofender os outros”.
A unicórnio azul ficou chocada com tudo isso.
“Por que?” Perguntou Trixie. “Por que você fez tudo isso por mim depois do que fiz a você?”
“Acho que o meu relatório sobre a amizade pode responder isso.” Twilight sorriu enquanto pegava um pergaminho, começando a ler:
“Querida Princesa Celestia,
Hoje aprendi que cada pônei merece uma segunda chance. Alguns tiveram momentos difíceis em sua vida e nem sempre podem se controlar quando as coisas ruins acontecem. Alguns até passaram a vida inteira sem ter um único amigo, tornando-se distante.
Mas o importante é sempre apoiar quem precisa. Oferecendo um casco amigo mesmo que isso signifique receber um tapa em troca. Nunca devemos parar de tentar ser bons amigos, mesmo que os outros não o considerem assim. Basta ser aberto e honesto, ajudando a todos que puder. E quem sabe, talvez, encontrar um novo amigo no lugar menos esperado.
Sua fiel estudante,
Twilight Sparkle.”
Mais uma vez o som de soluços encheu a sala silenciosa, mas dessa vez não eram lágrimas de tristeza. Twilight e Spike foram para a sala ao lado, deixando as outras reconfortarem Trixie.
“Twilight, ainda tenho um pergaminho sobrando, pra quem é esse?” Perguntou Spike.
“Para meus pais.” Twilight sorriu, com seus olhos lacrimejando. “Não os vejo há muito tempo, e gostaria de saber se estão bem.”
A casa era enorme, mesmo para os padrões de Canterlot, uma pequena figura caminhou até a porta e bateu. Momentos depois, dois unicórnios surgem na entrada.
A pequena figura que bateu na porta sorriu suavemente.
“Mamãe, papai … … estou em casa..”


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